[Artigo] Resenha do Livro “O Círculo” (de Dave Eggers)

O_CirculoAproveitando o tema “Vigilância x Privacidade” que tratarei na próxima quarta-feira (04/02) na Campus Party Brasil #CPBR8, faço hoje uma recomendação de leitura sobre um dos livros que embasaram o material de minha palestra.

O livro “The Circle” (“O Círculo”), de Dave Eggers, foi lançado no final de 2013 e recentemente (final de 2014) foi publicada a sua versão em português.
Sem exageros, acredito que esse livro pode mudar a forma como o mundo vê o seu atual fascínio, viciado e submisso, a todas as coisas digitais.

Classificado como romance e ficção, comparar o conteúdo deste livro com o mundo atual pode transformá-lo em um livro de terror e realidade (à medida em que nos encontramos entre as personagens do livro).

Conta a estória de Mae Holland, uma jovem que começa em um emprego novo numa poderosa empresa do Vale do Silício, chamada The Circle. Situada em um “futuro próximo”, The Circle pouco a pouco adquire os traços de algumas empresas do nosso tempo, como Google, Facebook, Twitter e Paypal.

A empresa foi fundada por visionários futuristas e é administrada por um grupo de executivos extremamente dedicados e empreendedores. Sua visão do compartilhamento dos conhecimentos de maneira completa e global acaba trazendo consequências nefastas para a democracia, no final do livro.

Como qualquer boa estória de horror, a entrada de Mae no Círculo parece ser um acontecimento abençoado. Ela se entusiasma com seu status recém-conquistado e fica boquiaberta com a programação de palestras acadêmicas da empresa. É aí que ela começa a se perder nos caprichos do mundo digital.

É solicitada a usar dispositivos que monitoram sua saúde e suas emoções; é pressionada a atualizar constantemente seu status nas redes sociais; e não demora para que lhe peçam para documentar todos os seus movimentos com uma câmera pendurada no pescoço, o que acabará por ter efeitos desastrosos.

O comportamento de Mae se modifica por razões que nos parecem bem conhecidas. Esses serviços todos — e a promessa de um mundo que gira em torno dos dados digitais — oferecem um valor real. Mas a cultura ficcional de Mae e a nossa cultura real deixam pouco espaço para contestação.

Optar por não participar da rede é algo visto como uma morte pessoal e profissional.

O mundo de Mae é muito semelhante ao nosso presente, o bastante para nos ajudar a enxergar a nós mesmos de uma nova maneira.

“The Circle” também traz outro alerta para o mundo dos negócios: qualquer que seja a utilidade dos dados de hoje, haverá consequências graves quando os dados são reunidos em um Círculo completo, que conecta cada centímetro das nossas vidas pessoais.

O autor não tem pudor de dizer, até de uma maneira escrachada, o que ele julga que isso está fazendo com a nossa personalidade e a nossa dignidade. Ele até inventa um personagem para dar sermões contra a cultura de informação onipresente do Facebook e do Google: “As ferramentas que vocês criam, rapazes, na verdade fabricam necessidades sociais artificialmente extremas. Ninguém precisa desse nível de contato que vocês estão oferecendo. Isso não melhora nada.”

Algumas frases do livro (ficção!?):

“Compreendo que somos obrigados, como seres humanos, a compartilhar o que vemos e conhecemos. E que todo o conhecimento deve ser acessível democraticamente”

“O estado natural da informação é ser livre.”

“Todos nós temos o direito de saber tudo o que pudermos saber. Todos nós possuímos, coletivamente, todo o conhecimento acumulado do mundo.”

“A privacidade é um roubo.”

Leitura altamente recomendada (só não me culpe por não dormir direito à noite) 🙂

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2 comments for “[Artigo] Resenha do Livro “O Círculo” (de Dave Eggers)

  1. 20/05/2015 at 02:15

    Acabei de ler o livro. De forma digital, pelo celular. É angustiante e interessante ao mesmo tempo. Mas não gostei do final… esperava outra coisa que não vinha não vinha e não veio kkkk.. mas em relação a esse dominio digital e redes sociais é demais. Será que vão transformar em filme? … Eu mudaria o final kkkk

    • Ricardo Kléber
      21/05/2015 at 11:49

      Tiago,
      Em função da “semelhança” (proposital, naturalmente) do contexto do livro com a realidade atual, acredito que tem tudo para virar filme (e com grande bilheteria).
      Muita coisa que alguns podem achar exagero, na verdade, já está acontecendo (e o mundo meio que “anestesiado” não tem percebido).
      Abração.

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